
Site da câmara de São José cria acesso à campanha



O Rotary Clube São José dos Campos Oeste também está apoiando a campanha O Vale pela Paz. A ação foi discutida em uma reunião realizada ontem na cidade.
O Rotary International foi fundado há 107 anos e promove ações e o bom relacionamento entre as nações.
A Congregação das Lojas Maçônicas de Jacareí – CONLOJA – também aderiu à campanha “O Vale pela Paz”. Representando as Lojas Maçônicas, Integridade e Justiça, Universo Templário, Arquitetos da Harmonia, Orvalho do Hermon e Verbo Divino, a Congregação
fez questão de parabenizar os jornais pela iniciativa.
A Maçonaria é uma instituição filantrópica, que preza pelo aperfeiçoamento moral e social da humaninda. A CONLOJA endossa a campanha, e já começa a discutir maneiras efetivas de divulgar e participar do “Vale pela Paz”.
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A cada dia, novas instituições e personalidades passam a aderir à campanha “O Vale pela Paz”. Dessa vez, quem entrou na onda foi o time de futebol americano de Taubaté, o Big Donkeys.
“É de suma importância que os atletas do time entrem de cabeça na campanha, pois todos nós gostamos muito da nossa cidade e queremos morar em um local mais seguro”, disse o treinador Cássio.
Muitas vezes visto como um um esporte até violento, o futebol americano vem crescendo muito no Brasil e também na região. Os atletas estão dispostos a provar que o esporte pode ser um caminho para tirar as crianças do crime.
“Temos um esporte magnífico como o futebol americano para ajudar a atrair o interesse dos jovens, tirando eles de caminhos errados, como as drogas ou o crime”, ressaltou Cássio.
O Taubaté Big Donkeys se prepara para sediar segunda rodada do Campeonato P aulista de Flag de 2012, que será disputada no dia 17 deste mês.

Fernando Portugal, capitão da Seleção Brasileira de Rugby, ficou impressionado com os altos números da violência na região e também aderiu à campanha. “Eu não sabia dessas estatísticas… Uma campanha dessas é importantíssima. Essas iniciativas tem que partir um pouco de todo mundo. A gente aponta vários culpados, mas nós mesmos acabamos fazendo pouco”, disse Fernando.
Ex-jogador do time de Rugby de São José e também nascido na cidade, Portugal garante que o esporte pode auxiliar na formação dos jovens e ajudá -los a sair do mundo do crime. “Muita gente esquece que o esporte é uma excelente ferramenta para ir contra a violência. Nele você aprende a conviver, respeitar regras e hierarquia. O esporte é uma grande ferramenta de educação”, disse o capitão da Seleção Brasileira.
it e OAB Taubaté também oficializam apoio Fábio França
Unitau reúne professores e alunos para ‘compor’ o símbolo da campanha; Ac
São José dos Campos
As iniciativas de instituições engajadas na campanha O Vale pela Paz têm mobilizado diversas pessoas por toda a região.
Só na sexta-feira, a Unitau (Universidade de Taubaté) reuniu 150 pessoas, entre alunos, servidores, professores, pró-reitores e reitor.
Com camisetas brancas, eles realizaram uma mobilização relâmpago formando uma mão em tamanho gigante, com todos os participantes fazendo o gesto da campanha, com a mão direita estendida, em um sinal de basta à violência.
“É importante criarmos ações com os estudantes para envolver a universidade e despertar a consciência nos alunos”, disse o reitor José Rui Camargo.
“Acho que essa divulgação é um início para despertar a consciência de que haja ainda mais contribuição com a comunidade”, explicou a docente Alexandra Magna Rodrigues, de 35 anos, que compareceu à ação com o filho Henrique de um ano.
Além da mobilização, a Unitau inicia uma campanha em seus laboratórios de informática na segunda-feira para que os alunos assinem a petição online.
Adesões. Em Taubaté, a Acit (Associação Comercial e Industrial de Taubaté), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Taubaté também oficializaram o apoio à campanha.
“A campanha é uma boa ideia e agrega valor ao Movimento pela Paz”, ressaltou Sandra Teixeira, presidente da Acit, que já atua pela paz em Taubaté ao lado da OAB e Ciesp, desde o ano passado.
A Rede Aparecida de Comunicação também aderiu à campanha O Vale pela Paz. A Rádio Aparecida vai veicular uma propaganda ao longo da programação. O programa Opinião e Música, apresentado das 8h30 às 9h (FM 90,9) vai tratar na próxima semana temas relacionados à violência.
No dia 5, uma série de reportagens especiais começa no Jornal Regional, às 11h.
A Casa do Médico, em São José também subscreveu a causa. Ainda em São José, o vereador Macedo Bastos (DEM) vai recolher assinaturas para o manifesto a partir da próxima quarta-feira, em frente ao prédio da antiga Câmara Municipal, na praça Afonso Pena.
ALGUMAS AÇÕES DE APOIO À CAMPANHA
Sesc
Os Sescs de São José e Taubaté dedicaram parte das suas atividades durante o Dia do Desafio 2012 em prol da campanha O VALE pela Paz. Só nessas atividades participaram 800 pessoas
Etep
A escola Etep (Escola Técnica Everardo Passos) promoveu uma caminhada pela paz, com 700 alunos no último dia 30
Univap
Além de divulgar a campanha no informativo online e intranet, a instituição liberou a coleta de assinatura na petição impressa no Campus do Urbanova
Unitau
A Universidade de Taubaté promoveu uma manifestação pela paz, reunindo 150 pessoas
Participação
Assinar petição leva menos de 1 minuto
Contribuir com sua assinatura à petição de O Vale pela Paz é uma ação simples que leva menos de um minuto. Ao acessar o blog ovalepelapaz.ovale.com.br, logo no topo você encontra um link para assinar a petição. Basta informar nome e e-mail. Com as redes sociais fica ainda mais fácil: também é possível assinar com sua conta do Twitter, Facebook ou serviço Google.

João Paulo Sardinha
Bom Dia São José
O Vale do Paraíba foi invadido pelos ‘senhores das armas’. Os chefões do narcotráfico transformaram a região em importante polo industrial da droga.
Boa parte do entorpecente consumido no país fica armazenado por aqui, considerado ponto estratégico geograficamente por estar situado entre São Paulo e Rio de Janeiro.
A conexão Rio-São Paulo é usada diariamente pelas duas principais facções criminosas do país: PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho). A Via Dutra, rodovia mais importante do Brasil, é o elo que sustenta a relação amigável entre esses dois grupos criminosos.
A ‘amizade’ ficou ainda mais forte nos últimos dois anos, quando a polícia carioca implantou as UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) em várias favelas. Desde então, o CV passou a importar drogas do PCC, organização criminosa fundada há 18 anos, no anexo da Casa de Custódia de Taubaté.
Rota. Para chegar ao eixo Rio-São Paulo, no entanto, a carga precisa percorrer milhares de quilômetros.
A rota do tráfico começa em países vizinhos na América do Sul, como Bolívia, Paraguai, Colômbia e Peru. O Vale é o trecho final desse longo percurso rodoviário.
De acordo com o delegado da Polícia Federal em Volta Redonda, Pedro Paulo Simão, a droga que é consumida nos morros cariocas fica armazenada em Taubaté, Aparecida e cidades do Sul de Minas Gerais.
A região seria uma espécie de entreposto da droga. “A gente percebe isso mesmo. A droga passa pela fronteira, entra no Brasil e chega a essas cidades de várias formas. A partir daí, define-se para onde vão. O Rio de Janeiro é um desses destinos.”
Esquecido. Toda essa operação é facilitada, principalmente, pela falta de investimento do poder público.
A região não recebe nenhum centavo da União para enfrentar o problema. Já a região Sul Fluminense, também localizada entre Rio e São Paulo, é atendida por programas de segurança da União.
O governo do Rio é aliado do Governo Federal, diferentemente da administração paulista. Sem investimento, o Vale do Paraíba segue como a região mais violenta do interior do Estado, com 159 assassinatos, de janeiro a abril, incluindo homicídios e latrocínios.
Sem verba. Parte do orçamento do Ministério da Justiça é destinado a cidades que apresentam projetos na área de segurança pública. Embora alguns municípios da região já tenham apresentado projetos, jamais receberam um centavo.
Na semana passada, o Ministério da Justiça anunciou a liberação de recursos para cidades que precisem de sistema de videomonitoramento. Os interessados têm até 14 de junho para mandarem projetos.
“São José protocolou projetos no MJ em 2009, 2010 e 2011. Todas as exigências foram cumpridas, mesmo assim houve a negativa. A prefeitura fará a solicitação de verba em 2012″, informou por meio de nota a Prefeitura de São José.
O ministério diz que a prefeitura não cumpriu o edital.
Taubaté não informou se irá pleitear o recurso.
Para polícia, procurados deixaram o país
Bom Dia São José
A lista dos 56 bandidos mais procurados do Vale do Paraíba, divulgada pela Polícia Civil há duas semanas, prejudicou a vida dos criminosos mais perigosos da região. Dez estão atrás das grades, mas boa parte saiu do país.
É o que afirma o chefe da Polícia Civil na região, João Barbosa Filho. Segundo ele, os criminosos teriam ido para países da América do Sul, como Peru, Colômbia e Bolívia.
Esse fato revela a ligação entre o crime organizado que atua na região e os chefões do narcotráfico, muitos deles responsáveis por grandes plantações de coca no continente.
Barbosa acredita que essa fuga de criminosos já era esperada. “Se você estivesse nessa lista, estaria por aqui ou teria fugido?”, questiona o diretor do Deinter-1 (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior).
“Essa é a lógica dos bandidos. Muitos deles estão fora do país, em países da América do Sul. Eles foram buscar refúgio lá, mas, quando voltarem, iremos prendê-los”, completou.
Fronteira. Bolívia, Peru e Colômbia são conhecidos produtores de cocaína. O Paraguai é produtor de maconha e cocaína, em menor quantidade.
Em comum, todos eles têm a fronteira com algum estado do Brasil. E conseguem exportar a droga com relativa facilidade, aproveitando-se da fragilidade da fiscalização local.
O Vale, que é considerado um ‘entreposto’ de drogas, armazena todo essa carga. Aqui, define-se para onde irá.
Além de traficantes de alta periculosidade, a lista da polícia também tem acusados de homicídios.
Bairro Sônia Maria teve atividades recreativas e esportivas, além de atendimento médico e jurídico gratuitos
Taubaté
O Movimento pela Paz realizou no último domingo 1ª Ação pela Paz, no bairro Sônia Maria, em
Taubaté.
O movimento é formado por um grupo de empresários e representantes de entidades de Taubaté, entre elas a Unitau, policias e os jornais ‘Bom Dia’ e O VALE, que vem se reunindo para debater políticas de desenvolvimento social e redução da criminalidade no município.
Na ação, foram desenvolvidas gratuitamente atividades de atendimento social, médico, jurídico, recreativo e esportivo. Além de oficinas artísticas e capacitação.
Além dos serviços prestados, o evento contou com a presença do “Homem de Ferro” e da “Mulher Gato”.
Os bairros esplanada Santa Terezinha e Água Quente, já receberam ações do grupo.

Confira entrevista com a deputada estadual, Keiko Ota sobre
a violência
A sra. perdeu um filho de 8 anos (Ives Ota), em 1997, após um sequestro. Desde então, vem lutando contra a impunidade. Como vê a lentidão do Poder Público em conter a violência?
É preciso dar um basta nessa situação. A Justiça tem abrandado determinadas penas. Essa postura provoca mais dor e sofrimento às milhares de famílias vítimas de violência. Não podemos mais tolerar o afrouxamento da lei para aqueles que tenham praticado algum tipo de violência, por menor que seja. Evidentemente que é preciso saber perdoar. Porém, o perdão não significa ser conivente com a impunidade. A sensação de impunidade tem que acabar.
Aliás, quando a sra. e seu marido (Massataka Ota) disseram publicamente que perdoariam os assassinos do seu filho muita gente não entendeu?
Perdoar não é dizer: ‘Soltem os assassinos de meu filho’. Perdoar é tirar o ódio de dentro de você. Então, perdão é uma coisa e justiça é outra. A justiça tem de ser cumprida, sempre. Nada mudou desde o assassinato do nosso filho, porém não desistimos de lutar cada vez mais contra a impunidade e a injustiça.
A lei é branda demais com os criminosos?
As penas não condizem mais com a atual onda de violência que aflige a sociedade e não representam nenhuma intimidação aos criminosos, tornando-se um verdadeiro incentivo à criminalidade em nosso país.
Qual o motivo da sensação de impunidade no país?
Vem do descaso do poder público com a segurança, da lentidão dos processos na Justiça, a política de enfrentamento da violência que é ineficiente. A Lei Maria da Penha, por exemplo, é um avanço, mas não tornou-se a regra ainda. Muitas mulheres são brutalmente assassinadas no país. A polícia brasileira é pouco eficiente e precisa de investimentos para superar a falta de estrutura.
A sra. está otimista com a reforma do Código Penal?
Houve avanços nos últimos anos, mas há muito o que se fazer. Os crimes contra a vida têm que ser punidos de forma mais rigorosa. As famílias vítimas da violência não têm assistência adequada.
egião; segundo a Polícia Civil, essa taxa sobe para 60% nos casos de homicídio; mas esclarecer significa identificar o autor e não necessariamente prendê-lo
Número se refere ao total de crimes ocorridos na r
Xandu Alves
São José dos Campos
A resposta nunca veio. A pergunta, como um eco em um desfiladeiro, insiste em ressoar pela cabeça do empresário A.A. até hoje: “Quem matou meu filho?”.
Anderson Alves, 23 anos, foi brutalmente assassinado em um bar na região sul de São José, há dois anos. Ele cobrava uma dívida deixada por um homem na oficina do pai. Ao invés do dinheiro, recebeu uma paulada na cabeça e dois tiros na nuca.
“Chegaram a prender um cara, mas ele foi transferido e depois solto. A polícia nunca apontou o assassino do meu filho”, disse A. “Só nos recuperamos com o apoio dos amigos e a fé em Deus.”
Esclarecimento. Somando todos os crimes na região, a Polícia Civil esclarece, em média, 10% dos casos. Por esclarecido entende-se a identificação do autor, não necessariamente a prisão.
De janeiro a março deste ano, foram instaurados 6.289 inquéritos na região a partir do registro de 43.994.
Descontando as ocorrência não-criminais, que somaram 15.973 no primeiro trimestre, sobraram 28.021 situações cuja investigação foi necessária. No período, segundo a Polícia Civil, foram resolvidos 3.840 casos –taxa de 13,7% de resolução.
Segundo o Deinter-1 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), o índice tem alta considerável quando o assunto é homicídio. Priorizados pela corporação, 60% dos casos, em média, são resolvidos.
Roubos e furtos de bens materiais vão ficando no final da fila. A prioridade é resolver assassinatos, latrocínios (roubo seguido de morte) e sequestros.
Excesso de boletins de ocorrência, déficit no efetivo policial, estrutura deficiente e burocracia são apontados como os principais obstáculos para a melhoria da eficiência da polícia.
Polícia tem que driblar deficiências
São José dos Campos
Estudando diversas tabelas e fazendo estatísticas em sua larga mesa no segundo andar do prédio do Deinter-1 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), na região sul de São José dos Campos, João Barbosa Filho busca soluções para enfrentar a violência.
Delegado experiente, com formação em Direito e Jornalismo, o chefe da Polícia Civil na região sabe o tamanho do desafio que enfrenta diariamente.
A perda de policiais aposentados, transferidos ou exonerados, por exemplo, desfalcará a corporação em cerca de 280 pessoas até o final do ano. Com efetivo de 1.400 policiais, o déficit beira 1.600 profissionais em todas as carreiras.
Além disso, a burocracia do poder público, a lentidão do Judiciário, a estrutura deficiente à disposição dos policiais e a carreira pouco atraente emperram o desenvolvimento pleno da polícia e evidenciam um descaso do governo estadual.
“O problema todo é de política pública. A estrutura é deficitária, o salário é baixo e os profissionais se desmotivam rapidamente. Esse é o quadro a ser enfrentado”, revelou um delegado da região.
Avante. A única saída, lembrou Barbosa Filho, é ir para frente. Ele mesmo só compara os índices criminais de um mês com o mês anterior. “O que passou não dá para voltar. Tenho que planejar o trabalho para frente”, afirmou.
Na avaliação dele, o índice de esclarecimento dos crimes gerais, que é de 10%, em média, segue o parâmetro internacional. Já a solução de casos de homicídio, em torno de 60%, ele faz questão de ressaltar como “um excelente trabalho da Polícia Civil”.
O diretor do Deinter 1 pede também que os homicídios não sejam todos colocados em tábua rasa, mas avaliados separadamente. “Há muitos bandidos se matando na região.”

Especialistas defendem a modern
ização do Código Penal e que o poder público priorize a prevenção e não só a repressão; o sucateamento das corporações policiais também é apontado como causa para a impunidade
Xandu Alves
São José dos Campos
A poder público sucateou a segurança. Juristas, sociólogos e antropólogos ouvidos por O VALE são firmes em apontar o dedo para as três esferas de governo –municipal estadual e federal– e cobrar ações e investimentos para reduzir a violência.
Quem tem a caneta na mão, dizem eles, não pode ignorar os verbos: prevenir, combater e punir. Tudo com rigor e eficiência capazes de minimizar a sensação de insegurança.
Para o sociólogo Alacir Arruda, professor da Fatea (Faculdades Integradas Teresa D’Ávila), em Lorena, a falta de políticas publicas voltadas à prevenção, aliada à burocracia, são os principais problemas no caminho da paz. “O governo tem gasto milhões no combate à violência e alguns reais na prevenção. Enquanto o governo priorizar o efeito, as causas se multiplicarão.”
Enquanto alguns países elegeram a segurança pública como prioridade absoluta, Arruda diz que vê o tema sendo tratado no Brasil e na região como “discurso em períodos pré-eleitorais”.
Pró-ativo. Reduzir a violência significa, na avaliação do cientista social Carlos Alberto Pimenta, professor da Universidade Federal de Itajubá, assumir uma posição pró-ativa.
Governos têm que deixar de empurrar o problema uns para os outros e partir para o enfrentamento de forma criativa e mais preventiva do que repressora.
“Ocupemos os espaços públicos. Busquemos a participação da sociedade em todas as instâncias de decisão social. Transformemos a sociedade do consumo em sociedade da troca, da solidariedade.”
Mas não só o poder público é responsável pela segurança. É no seio das famílias, segundo Júlio Rocha, presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São José, que podem nascer a paz ou a violência.
“A sociedade precisa assumir a responsabilidade de sua parcela, para que se possa realizar o ideal da paz”, afirma.
Investimentos. Quanto ao baixo índice de esclarecimento de crimes pela polícia, que é de 10% de todos os casos registrados, em média, o antropólogo Lucas Carvalho, da USP (Universidade de São Paulo), relaciona o problema com a falta de investimentos. A culpa, segundo ele, é do sucateamento institucional.
O sociólogo Alacir Arruda espera que a revisão do Código Penal, em curso no Senado, modernize as leis. “É inconcebível uma nação que pretende ser protagonista ter uma lei que trata ladrão de galinha como trata assassino em série.”
Bairro de Taubaté tem roubos e arrastão
Michelle Mendes
Bom Dia Taubaté
À mercê do crime vivem os moradores do bairro Bonfim, em Taubaté. De acordo com eles, 18 comerciantes foram assaltados no mês passado. Cada um com sua história de violência, que revela o drama de estar na mira de armas.
A pequena padaria do aposentado H. M. F. foi assaltada oito vezes entre 2011 e 2012. Só neste ano, o comerciante já foi vítima de três assaltos — a última há dois sábados.
“Um senhor entrou arrastando a perna e chegou até a funcionária, dizendo estar armado, ameaçando e pedindo o dinheiro do caixa”, contou ele.
Arrastão. Em 24 de maio, os bandidos fizeram um arrastão em lojas do bairro.
Três estabelecimentos foram roubados. Uma padaria, uma locadora de filmes e uma pet shop, onde a vítima foi a dona da loja, M. M., uma idosa de 70 anos. Na mesma noite, equipamentos eletrônicos foram furtados da escola estadual do bairro.
Segundo a Polícia Militar de janeiro a março deste ano foram registrados apenas dois roubos e dez casos de furto no Bonfim. Os números de ocorrências de abril e maio não foram divulgados. Já a Polícia Civil diz que os índices no bairro não são alarmantes e que está investigando os crimes.
SAIBA MAIS
Sucateamento
Ao longo dos anos, o poder público deixou de investir na polícia, provocando um sucateamento institucional
Mobilização
Sociólogos defendem a mobilização da sociedade organizada, como ocorre na campanha ‘O VALE pela paz’, para cobrar mais segurança
Prevenção
O problema não será resolvido apenas no campo da repressão, mas principalmente com políticas preventivas